quarta-feira, 31 de agosto de 2011

DAS VANTAGENS DE SER BOBO

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
CLARICE LISPECTOR

terça-feira, 23 de agosto de 2011

VELHA GUARDA

Os velhos amigos são os melhores, pois,
estes resistiram aos ciclos de alegrias e tristezas,
farturas e carências, amores, ódios e benevolências.
Curtam os velhos, envelheçam os novos amigos
e fortaleçam os elos.
Por: Moisés Carneiro - 23/08/2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

AMPULHETA



A vida é tão breve que ela escorre pelas vias do tempo do mesmo jeito que a água escorre pelo rêgo da bunda, direto pro buraco. Ainda dizem que a vida é um carrossel, uma roda gigante, quando na verdade ela tá mais pra escorregador no parquinho da praça. Invistam o seu precioso e curto tempo, mas, se divirtam durante o escorrego.
Por: Moisés Carneiro - 02/08/2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

MARGEANDO

Abro a janela, debruço-me,
debato-me num rio sem margem,
imagino-me às margens das páginas
de um livro ou em posse de um papel
onde rabisco imagens e dou vida a um quadro
sem limitação emoldurável... vou seguindo...
entre lápis, dedos nas areias e pincéis,
escrevo, digito e pinto Menestréis
na esperança de criar um mundo maior e bem melhor pra nós.
Por: Moisés Carneiro - 05/08/2010

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

FELIZIDADE

A infância e a velhice são as duas fases da vida em que a felicidade
consegue nos contagiar através de simples argumentos como, carinhos, atenções e doces.
Portanto ou tão pouco, enquanto não envelheço, escrevo bobagens, rio por besteiras, estresso-me só por capricho, adulto-me e mantenho a minh'alma de criança enquanto preparo os passos para a minha infância enrugada.
Por: Moisés Carneiro - 03/08/2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O SOL, O JARDIM E A NEGRITUDE MÓ

A noite chega pro descanso dos olhos
ofuscados pelo brilho do sol,
seguindo-a, vem o descaso do corpo sob o lençol,
repousando, sem saber quando voltará ao pó.
Chegada aurora e o galo anuncia o astro rei
num canto que nada lembra o rouxinol
e o corpo nem sabe por onde andas o lençol
levanta, abre os olhos, reverencia a vida,
espera o clarão da lua, enquanto se aquece ao sol
tão sol, tão só...
sem as estrelas no negrume do ócio do espaço mó
e a ausência da Rosa no canteiro do Jardim Melhor.
Por: Moisés Carneiro - 14/07/2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

LEIA, MAS, AVISO QUE, NÃO É IMPORTANTE O QUE ESTÁ DIGITADO A SEGUIR:

A saúde é tratada como um assunto particular,
mas, na verdade deveria ser uma preocupação coletiva.
A consequência desse pensamento individualista é refletido
através do desprezo dado ao verdadeiro valor das pessoas
para a dedicação quase exclusiva de se ganhar dinheiro, culminando numa sociedade doentia e indiferente à procura da cura para tal doença capital.
Estou na correria, preciso fazer dindin, porra tô atrasado e vou pro serviço extra, não vejo meus filhos há dias, pô amor hoje não vai dar, tenho que fechar aquele negócio. Alô! O quê? Uma cervejinha, um refri com a antiga turma do ginásio, da facul ou da velha infância? poxa infelizmente não vai dar.Tu... tu... tu... qualé rapá! Eu lá tenho tempo pra nostalgia! Vão procurar o que fazer... já vendeu quanto hoje José?
Enquanto que um abraço, um sorriso, são coisas tão fáceis-difíceis de se ver e palavras tão raras de se ouvir. Apenas digitamos virtualmente num bate papo retraído, ou seria descontraido? sei lá! Depois eu digito a dúvida, ops! Digo, tiro a dúvida. Ah! Em tempo, digito um abraço cheio de muita PAZ e SAÚDE pra quem conseguiu ler estes dígitos até aqui. mesmo sabendo que não eram dígitos numerais EUR$, US$, R$, 000,000,000,00.
Por: Moisés Carneiro

segunda-feira, 11 de abril de 2011

PUTARITANEAR

Sou puritano com temor,
Sem tremor e ao dispor.
E quem teimou? O altar inquisicionou.
Putarino também sou!
Da quebrada maloka, nunca na toka
com sua tv que não foka, apenas toca pra trás com a CANÇÃO do queira mais
quem a sua frente se prostra.
Sufoco sim, morais olhos que mentem,
através das minhas letras e mente.
E na insanidade com razão,
meto os meus pés pelas suas mãos.
Serás um 69 de emoção?
Quem nunca fez confusão?
Quantas pedras Madalena, seguem
em minha direção.
Desvio com ou sem arranhos,
saudoso, feliz ou tristonho,
mas, com a noite entreaberta
e as nossas PÉROLAS incertas,
paro, reflito. É o alerta!
Fecho meus olhos caverna,
surto e revivo meus sonhos.
Não sou MÚMIA, nem bizonho!
Desmumiado ou diabolizado
sou aquilo que suponho,
ou serei eu o que disponho?
MARGINÁVEL ou IMAGINÁVEL?
Tentar ser humano é medonho!
Pois é...
Sou o que sou no propício momento
que sou,
k a fé, própria e vizinha, costumam lâminas afiarem.
Não importuno, não super nem subestimo
os dogmas da dor, do
divino clero, nem
tampouco os do amor,
mas, seguindo e "Putaritaneando" eu vou,
porém, nunca só.
Apenas o ladrão Sol
é quem clareia e rouba
a Noite dos sonhos.

Por: Moisés Carneiro-11/04/2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

POR UM FIO

A loucura é um fio de lembrança da sanidade
tentando fugir da realidade.
E a esperança? Última a morrer e dura engrenagem
das angústias dos homens sem fé. Ou com fé?
Sabe-se lá. Na lança da fé eu vou e a justiça teima em falhar.
Contrariar é questionar, então eu teimo também. Sou justo.
Loucos! Quem são?
Eu não sou, tu dirás a mesma coisa.
E faceiro, o falso verdadeiro louco segue na fuga corajosa
da lucidez ilusória.
Por: Moisés Carneiro - 19/03/2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

HEROÍNAS CANSADAS

Os heróis morreram de cansaço!
Enxurradas de overdoses, batalhas aos cacos.
A paz? Grito aluscinante por guerras.
Os soldados pensantes? Rá! Rá! Ra! Gargalham às quimeras
da união paz e Terror e os lucros do pavor.
Retirante humanista é o amor!
Mães? Por enquanto perdas não choram.
Por enquanto, por enquanto...desligada é a minha TV.
Cenários macabros toleram-nas,
respeito por elas? Quem dera!
Banais guerras viscerais queimam peitos,
apertam mentes e torturam,
fingidoras lentes distorcidas, que não veem
e nem sentem, o amálgama no vitral à sua frente.
mães que foram MÃES no parto sentiram dores.
Ouçam! Gritos silenciados e ensurdecedores
ecoam nos guetos, quartos e berços
de uma geração não mais coca-cola.
Deus meu! Cracks camisas dez engraçados roubaram as bolas.
Dura vida deixa de ser escola e a
Rosa matriarcal se despetala
Daqui, dali, lá de Madrid!
Não só a de Angola.
Por: Moisés Carneiro - 10/03/2011

terça-feira, 1 de março de 2011

INDIRETOS

Quero dizer meu discurso indireto
sutilmente côncavo àqueles que
devo alfinetar de perto sem dar-lhes
o direito ao concreto. Só dúvidas, suposições
e desconexos. Meu ego se satisfaz! Revisão e tormenta
na reflexão alheia. covardia de expressar
diretamente o meu pensar.
Escuro discurso é o não confirmar
a franqueza do direto falar.
Triste ego é o meu penar.
Por: Moisés Carneiro - 01/03/2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O POETA DA ROÇA

Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de páia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia se cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastêro, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

Eu canto o cabôco com sua caçada,
Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.

Eu canto o vaquêro vestido de côro,
Brigando com o tôro no mato fechado
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.

Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.

E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade,
Cantando as verdade das coisa do Norte.

(ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 1980)

CONFORTO

O reencontro dos abraços
separados pelo espaço ou pelos
tristes fatos, nos
transportam para um lugar
inexplicavelmente confortável.
O saborear de um beijo, um cheiro ou
um abraço apertado podem nos dar a idéia
de termos adentrado num portal
para um instante de felicidade arrebatadora.
Abraço-me, me abrace, nos abracem com poesia, faça-se abraçador
e abraçado, e o resto? Deixem a críterio das sensações
naturais sem serem frívolos.
Por: Moisés Carneiro - 23/02/2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ESPERA MILENAR

Sinto o riso de um olhar em sonetos
e uma tristeza nas calçadas, esquinas e becos
sem a PAZ nos corações e nas almas dos homens de fé
com suas angustiantes esperanças desesperadas.
Por: Moisés Carneiro - 16/02/2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

LARA PIETRA

Pietra força fortaleza
Pedro teme sua beleza
de ofuscante realeza
e intensidade a brilhar
ao seu desabrochar no mundo real,
na sua chegada ao lugar chamado
LAR DOCE LAR
juntamente com a sua inocência
infantil que tem por objetivo proporcionar ao mundo
mais uma dose de esperança
rumo a vitória das batalhas
para firmar o renascer de uma sociedade melhor,
lembrando o menino Jesus, que trouxe consigo,
o facho de luz que ilumina
até hoje os caminhos da dificil renovação,
do bom sentimento humano de amor, bondade e paz.
E você, Lara Pietra como símbolo de uma nova geração,
traz a certeza da continuação desta tocha
de luz, erguida antes por Jesus Cristo, e que hoje, 09/02/2011 nesta incessante corrida de revezamento milenar do ciclo da vida, passa para as suas tão puras mãos.
Bem-vinda ao clube da vida e seja um ser espetacular e mantenedor da chama
aquecedora e confortadora das almas esperançosas.

Desejo a vc e aos seus Pais-técnicos-educadores a mais pura relação recíproca de amor, carinho e dedicação, já vista antes, e que ela se estenda para todos do seu ciclo de convivência.
Por: Moisés Carneiro

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

NOMENCRIATURAS



Pensando bem, nem penso muito,
mas, às vezes me pergunto, por que
nomeia-se tudo? Batismo oblíquo!
Pedras nos calos. Calhas de pedras!
Caminhos marcados por trilhas, placas,
sinais e símbolos, travessas e travessias.
Ruas, casas nuas, mendigo na sua estreita
Silva calçada com sua João calça rasgada, assim batizados pelos
calçados recalcos, batinas e linhos de escritas grã-finas
em vãs pergaminhos. Rótulos, nomes sobre os nomes,
classes sobre a classe.
E o vinho segue manchando em vinho
a pura embriaguês do colarinho, quando servido ao
mestre letrado e retado sem carinho.
Batismo meu, batuta nossa,
Batista Filho, Batista Neto.
Bastardo ninho.
Por: Moisés carneiro - 10/01/2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei. Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é.
Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo é do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só,
não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo, O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li. O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?" Deus sabe, porque o escreveu.
POR: FERNANDO PESSOA

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

FUGA ENCLAUSURADA

O melhor amigo do homem endinheirado é o whisky!
Do pé rapado o pingado e do operário a cerveja.
Do descolado? Sempre o alternativo baseado!
Do dependente químico o ópio, o pó e seu ócio sociológico.
Na observância da matilha eu sigo e tateio na trilha d'onde
Vinícius citou o cachorro engarrafado, e PER ou TERseguido tal cão idolatrado, veio o moral fundido ao amoral, o Rintintin empoeirado das giletes, seus filetes em louças e a Lassie evaporada das mentes esfumaçadas.
Na quadrúpede passada, passa tempo, tempo escapa e a lente da ópera da psicanálise viniciana toca o doping ao som da fuga dos não esperados, restando apenas as ondas e brisas do incompreendido mar de surfistas desolados.
Por: Moisés Carneiro - 01/02/2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

VELEIRO ROSA

Algo surge de um desatino
com teor puro, raro e gracioso
invade-me a alma, sou ser ansioso,
feliz e faceiro, traquino menino.

Dançante e alegre sob os quatro encantos
seus olhos, sua boca, mãos e pujanças.
Ternuras expostas de eternas crianças,
brinquedos de Rosas e Cravos sem prantos.

Sou flores! No bosque não busco amores.
leio poemas e prosas sem mais dissabores.
Não busco! Já tenho a mais linda rosa.

Teus olhos eu miro e seus lábios desejo
mais belo é o teu corpo. No qual eu velejo
num mar de emoções de rota perigosa.
Por: Moisés Carneiro - 18/01/2011

domingo, 9 de janeiro de 2011

INVADIDO

Escrevo visões que não vejo,
sinto no tato e almejo.
Registro pensamentos
para que outros sintam
a sensação do poder de adentrar
em outras mentes, que nem sempre
acertam e que ás vezes mentem.
Grafos registrados! Pensamentos congelados
em papéis timbrados, muros ou quadros.
Por: Moisés Carneiro - 09/01/2011